quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Mochilão Andino - parte 1

Aqui vai o roteiro básico de um mochilão, partindo da cidade de Corumbá (MS), fronteira com a Bolívia: 

Corumbá - Santa Cruz de La Sierra - La Paz - Copacabana - Cusco (Trilha Inca/Machu Picchu) - La Paz - Salar de Uyuni - Santa Cruz de La Sierra - Corumbá.

Esse roteiro é o essencial para se conhecer os principais lugares, fazer a rota clássica pelo Trem da Morte e culminar com a cidade sagrada dos Incas. Obviamente todas as cidades para um mochileiro têm a sua beleza e admiração e muitas outras poderíamos acrescentar aqui no nosso roteiro como Sucre e Potosí - mas foram cidades que pulamos na viagem num roteiro que ia até 18 dias ao total.

Corumbá: se o seu intuito é não parar muito tempo em cidades brasileiras e partir logo para o caminho andino, afirmamos que Corumbá em um dia já vale a pena. Saindo de ônibus (ou mesmo de avião) da capital Campo Grande (MS) Corumbá se torna apenas um ponto de um rápido descanso como também o início daquela aventura tão esperada durante os planos da viagem.

Chegou em Corumbá logo de manhã? A dica é partir pra alfândega, carimbar o passaporte: saída do Brasil e logo fazer a entrada na Bolívia. Pegue um táxi (ou moto táxi) e vá à fronteia: lá você vai encontrar um looongaaa fila: mochileiros, vendedores, estudantes e tantos outros indo e vindo. Uma verdadeira terra híbrida, onde a mistura de cultura e história se faz presente em todos os lugares.

Nesse território de vivências múltiplas, o bom mochileiro já vai percebendo que pisar o pé para fora de casa é mesmo encarar um agitado encontro com as surpresas do caminho. Puerto Quijarro é assim: passando pela alfândega brasileira e fazendo a entrada para a Bolívia, Puerto Quijarro é casa do iniciante, ponto de partida para enfim a aventura se fazer presente.

Você faz essas burocracias todas a pé e com as mochilas nas costas - é o mochilão que já começou!

Mochileiros-amigos do mochilão de 2012/2013

A poucos metros da alfândega brasileira, a alfândega boliviana


Paciência e muita alegria no rosto, hehe - você começa a sentir que mochilão é pra quem tem muita coragem e principalmente ânimo de aguentar a burocracia e preencher milhões de formulários. Mas calma que tudo faz parte do jogo: brigas entre o pessoal para ver quem furou a fila, bolivianos atendendo primeiro os bolivianos, o fuso horário que faz a gente se perder um pouco (Bolívia é uma hora a menos em relação ao MS) e principalmente a natureza ... ahhhh aquele calor, hehe. 

Protetor solar e água são os melhores amigos nesse momento. Pode acreditar, tudo estará uma bagunça, mas quem liga ?! É mochilão e foi exatamente pra isso que escolhemos a melhor maneira de sentir o mundo.

Banheiros? Bom, se você já tiver em mãos algumas moedas bolivianas você já pode encontrar um bar ou lanchonete para pagar um banheiro - isso mesmo, ali na fronteira (Puerto Quijarro), muitas bancas ou pessoas já na frente dos hotéis e outros lugares fazendo câmbio o que começa a facilitar a nossa vida.

Outro lance bem legal são os outros mochileiros retornando de suas viagens: trocas de experiências ajudam a aumentar a adrenalina de quem esta partindo e faz dos que estão voltando verdadeiros mestres na arte de mochilar.

Troque pouco dinheiro, você pode encontrar melhores ofertas em Santa Cruz de La Sierra e principalmente em La Paz. Troque apenas o necessário.

Na nossa viagem, as passagens do trem já estavam compradas, o que facilitou em muito o começo da jornada. Caso você não consiga ir para Santa Cruz com o famoso trem e esteja com pressa, vá então de ônibus. Em Puerto Quijarro mesmo há uma rodoviária onde você encontra todos os tipos de ônibus, com vários valores e todos prometendo Tv, água, ar e wifi (não acredite, hehe).

Agora caso você queira mesmo ir de trem (o que é muito legal) e não comprou as passagens para aquele dia com uma certa antecedência, o jeito é dormir em Puerto Quijarro ou retornar a Corumbá para viajar no outro dia na hora da passagem comprada.

Alfândega boliviana - preenchendo os formulários...

Tudo certo com passagens e documentos, nós saímos no mesmo dia para Santa Cruz. E a espera do trem nada melhor do que um bom banho (apenas 5 bol) e dar aquela última olhada na mochila e ver se falta alguma coisa (aproveitando a imensa feira de roupas e milhões de acessórios que existe ali na fronteira): cartão de memória, toalhas, protetor, meias, etc.

Ali da alfândega e mesmo da feirinha de Puerto Quijarro você tem duas opções: ou andar até a estação ferroviária ou pegar um táxi (10 bol). 

Acredite: não compensa ir a pé (já fiz dos dois jeitos) kkkk!!

Pegue um táxi e fica tranquilo, não é frescura, mesmo!!! O calor, o cansaço e o peso da mochila, a espera nas filas e ainda caminhar, caminhar até o infinito ?! hehe ... mas você chega rs ...




Ok, não é um Trem da Morte, como dizia a lenda, mas ta valendo né?! São 500 km entre Puerto Quijarro e Santa Cruz mas de trem ficamos ali nas ondas dos trilhos por cerca de 15 longas horas. Banheiro, Tv, músicas típicas que já começam a dar o ar da graça. E se você tiver sorte tem até uma pequena cozinha no trem onde o próprio condutor faz os lanches. Você pode esperar: sempre que o trem parar numa pequena estação, muitas crianças e mulheres vão te oferecer mil tipos de comidas: pão, suco, refrigerante e marmitas completas!

Agora outros trens podem não te oferecer nada. Mas o cansaço e a vontade de conhecer Santa Cruz com a mente a mil por hora, faz qualquer mochileiro dormir tranquilamente....

Dicas:
1- Se puder, compre as passagens de trem uns dias antes da viagem
2- Troque o dinheiro na fronteira, mas apenas o essencial
3- Vá anotando tudo para registros futuros
4- Tenha sempre uma caneta. É sério, você vai precisar para os formulários
5- Uma pequena manta se puder para descansar na viagem de trem/ônibus
6- Tire o boot e viaje de chinelos - vai ser um alívio imenso
7- Compre algumas coisas pra comer em Puerto Quijarro (salgadinhos e água) se não quiser comprar durante a viagem

Fique tranquilo, Santa Cruz de La Sierra ainda vai te surpreender mais ....

Nos próximos posts:
- Santa Cruz de La Sierra 
- Documentos necessários/Bagagem essencial
- Valores

Abraços mochileiros!!!

sábado, 22 de outubro de 2016

Porque vale a pena viajar

Antes de tudo, os primeiros passos para uma aventura começam nos pensamentos: leituras de livros afins, conversas sobre o tema com amigos/parceiros, filmes sobre viagens, roteiros vistos e revistos de quem já foi em terras desconhecidas.


Parece que tudo converge para o foco principal: 
iniciar um mochilão mesmo em palavras somente.


Quando tudo esta ligeiramente pronto (e sempre falta alguma coisa) o próximo passo é o de se despedir dos pais (curiosos e cheios de medos) e ir!

Se que ir, vá, vá e vá!!! Apenas . Pegue a estrada mesmo que não saiba muito ao certo sobre o caminho. Compre a passagem até a fronteira. Marque e esteja no aeroporto no dia exato.

Talvez essa questão acima é a mais principal: colocar o pé na estrada.

Não pense muito - nunca um mochilão acontece com 100% de perfeição. E talvez essa seja realmente a graça de ser mochileiro - amor livre pelos pequenos obstáculos, curiosidade e ansiedade na espera do trem ou do ônibus e muita paciência para resolver os rápidos percalços.

Pegue o essencial (falaremos disso mais adiante), chame os amigos interessados (mas vá se preparando par embarcar solito) e VÁ!
Rio Paraguai - Corumbá (MS)

Centro Histórico - Corumbá (MS)


A foto acima é da cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul (MS). Cidade-fronteira entre Brasil e Bolívia e essencial para segue o bom estilo aventureiro/clássico, seguindo rotas tradicionais até os Andes, principalmente. Vale também para todos os destino da América do Sul - é como se Corumbá fosse um centro cultural, caminho obrigatório para quem gosta de sentir na pele o calor da temperatura úmida do pantanal e a agradável sensação de ter os pezinhos num outro país.

Vale lembrar que a cidade corumbaense é muito mais que qualquer definição a seguir: simplicidade, gente do bem e amável, festas calorosas, religião híbrida, comidas exóticas e saborosas. A fé é vista nos rostos das pessoas, a beleza é compreendida nos prédios antigos, o rio exala soberania (calmo, sereno e profundo) - compensa a visita (uma parada de uns 3 dias, no mínimo).

Corumbá convida à história, abraça o mochileiro que vem da cidade grande e lhe oferece a chance de se encontrar diante de uma natureza linda e doce (obviamente já entenderam que sou suspeita em falar sobre essa linda cidade e sim, sou apaixonada por esse lugar, mas tenha certeza de que Corumbá também irá lhe encantar)

Mas por que Corumbá?

Vamos então elaborar um rápido roteiro: se o destino é Bolívia você pode sim começar por Corumbá. Como é fronteira, todos os trâmites legais são feitos na alfândega (Polícia Federal). Saída do Brasil e depois entrada na Bolívia - do mais, é só deixar que o roteiro segue naturalmente e aproveitar as aventuras que territórios desconhecidos nos garantem a todo tempo!

Lembrando que Corumbá tem aeroporto então não há desculpa para pular de seu roteiro essa cidade branca!

O mapa abaixo pode ajudar para ao menos começar a pensar no roteiro do seu mochilão e incluir no seu mapa o linda estado do Mato Grosso do Sul:

Fonte: Google

O roteiro do nosso primeiro mochilão foi o seguinte:

- Campo Grande --- Corumbá --- Santa Cruz de La Sierra --- La Paz --- Copacabana e por aí seguimos ...

O que fazer em Corumbá:

1- Conhecer a Estrada Parque Pantanal;
2- Museu de História do Pantanal;
3- Casarões do Porto;
4- Casa do Artesão;
5- Instituto Moinho Cultura;
6- Festival América do Sul (fim de abril e começo de maio, 5 dias de festas e cultura!)

Se você estiver em Campo Grande há saídas diárias para Corumbá. O interessante é pegar o ônibus a noite para aproveitar e descansar, fazendo os trâmites legais com tempo no outro dia. Saia a noite e por volta das 6 da manhã já estará na cidade-fronteira!

No próximo post vamos enfocar como foi nossa aventura com mais detalhes, passando por cidades em cidades no nosso primeiro mochilão rumo à Bolívia e ao Peru!

Até mais!!!


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Iniciando mais um projeto


É com prazer, que nem mochileiro no seu primeiro dia de aventura!

Tal a nostalgia dos caminhos, vi a necessidade de escrever.... escrever pra fazer voltar as lembranças, escrever para tornar novamente real aquela sensação quando estamos arrumando a mochila, pegando o mapa, ajeitando a câmera e sorrindo quando colocamos o primeiro pé no "busão", pois sabemos bem que dali pra frente, o desconhecido e as surpresas são os nossos companheiros....

Ainda não sei como manejar essas palavras: em forma de roteiro, seguindo o tempo cronológico, lugares que visitei primeiro.... mas resolvi deixar a mente livre desses detalhes e partir para a principal tarefa: fazer você, caro leitor, entender a doçura que existe em pedras antigas, igrejas pagãs, comidas exóticas e pessoas hermanas que ficam no nosso caminho e no nosso coração.

As viagens aqui descritas são frutos do projeto PAM - Projeto Aventuras pelo Mundo que eu e meu mochileiro das galáxias coordenamos. Desde 2011 temos a honra de tornar os sonhos de tanto amigos antigos e daqueles que vão se fazendo ao longo da caminho possíveis.

Viagens em grupos, viagens solitárias ... o que importa mesmo é viajar. Mas é bem mais, sempre mais ....

Vou começar devagar, lembrando 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016 ....

Bom proveito e seja bem vindo!!